A retomada da Economia – a parte cheia do copo por Adilson Mirante

Em nosso trabalho diário de recolocação de altos executivos, no contato diário com empresas e Headhunters de todo o Brasil, conversando com quem contrata e quem demite, sempre temos a informação antecipada dos fatos que só será estatística de 40 a 50 dias depois.

Fazendo um balanço dessa experiência passada recente e futura, podemos dizer que a demanda reprimida e a queda da economia no primeiro semestre estão terminando.  A injeção de mais de 80 bilhões do governo federal na economia real já mostra resultados. A queda projetada do PIB que estava entre – 6,5% e – 9 % já caiu exatamente pela metade, agora projetada para – 4,5% e crescimento de 3,5 % do PIB em 2021. Significa que, para isso acontecer, teremos que estar crescendo num ritmo de 1,5 % positivo no PIB já neste segundo semestre a partir de agosto/setembro. Será?

A injeção de dinheiro através do coronavoucher afinal foi bem sucedida. A liquidez na economia surtiu efeito nas vendas e a retomada das atividades de comércio e varejo nos Estados agora em junho/julho, principalmente no Estado de São Paulo, impulsiona a atividade Industrial. O otimismo dos empresários está voltando e a bolsa de valores ganha fôlego dia a dia.

Tivemos um primeiro trimestre com saldo positivo de empregados contratados com carteira assinada da ordem de 100.000 postos novos de trabalho. Na segunda quinzena de março, o isolamento por causa da pandemia começou e fechamos o comércio em todo o país. As demissões com carteira assinada foram maiores que as admissões em abril, da ordem de – 800.000 empregos. Em maio continuamos negativo em – 350.000 empregos, mas em junho já caímos para – 10.000 empregos. Em julho já deveremos ter a recuperação do emprego, número de admissões com carteira assinada maior que as demissões. Retomada rápida, longe das previsões catastrofistas das aves de mau agouro.

Motivos não faltam: o cenário político pesado se dissipou em parte, o otimismo voltou, o varejo vendendo muito bem, a indústria mostrando aumento forte de vendas nos últimos dois meses, os juros muito baixos, o número de pequenos investidores pessoa física, e grandes investidores nacionais migrando da renda fixa para a B3 e novos investimentos produtivos, a construção civil contratando forte e o agronegócio em plena colheita da safra 2020, contratando forte também.

Os investidores externos estão voltando, número de IPOs crescendo, exportações líquidas subindo bastante, a China e EUA crescendo e comprando mais, a taxa de câmbio favorecendo as exportações e as reformas voltando à discussão no Congresso.

Em 2 lives que fizemos em junho, nós mostrávamos o ritmo de contratações crescendo. Batemos recorde absoluto de clientes recolocados aqui na M1 no mês de junho em relação aos últimos 36 meses. Observamos esse movimento de contratações principalmente nos segmentos de varejo, bens de consumo, construção civil, agroindústria, energia renovável, mineração, óleo & gás, equipamentos de infraestrutura e equipamentos médicos.

Os novos investimentos em leilões já consagrados em 2019, como Oleo & GÁS e Energia já começaram a contratar forte, a indústria voltada para saneamento e infraestrutura também. Quando o otimismo empresarial volta, quem tem caixa investe antes, é mais barato investir na pré-retomada e sair na frente da concorrência.

Existem segmentos de bens de consumo que cresceram no primeiro semestre mais que no ano passado, e devem manter as projeções de crescimento que tinham para 2020, metas estabelecidas em 2019. Muitos cargos ainda estão em ritmo lento de contratação e os salários oferecidos estão entre 20 % e 30 % abaixo do mercado. Nem tudo são flores, é claro. A taxa de desemprego voltou a subir de 11,5 % para 12,7 % entre março e maio. Mas a partir de agosto deveremos começar a reverter a queda na taxa de emprego.

Enfim o otimismo voltou na indústria de transformação, começando na siderurgia que já vinha retomando o crescimento das vendas desde junho, e a oferta de ações na Bolsa vem crescendo lastreada em investidores internos. O segmento industrial no Estado de São Paulo vem acelerando as contratações para atender a demanda crescente de encomendas e as projeções para agosto são excelentes em 80 % dos segmentos industriais.

A retomada da Economia – a parte cheia do copo já estava na hora.

Sobre Adilson Mirante: é presidente e fundador da M1 Alta Gerência, especializada em recolocação de executivos seniores, atuando também em coaching executivo e uma divisão T1 Tecnologia e Serviços, especializada em gestão e projetos de TI.

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